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Honda e Nissan se unem em projeto conjunto de software veicular com previsão para o fim da década

Redação Portal Carro Eletrificado · há 1h

Fonte: Quatro Rodas
A Honda e a Nissan anunciaram uma parceria tecnológica que prevê o desenvolvimento compartilhado de uma arquitetura eletrônica comum, incluindo centrais de controle e plataformas de software voltadas para veículos definidos por software — os chamados SDVs (software-defined vehicles). Segundo o que foi divulgado, essa integração de sistemas deve começar a valer a partir de 2029, quando as duas fabricantes japonesas pretendem aplicar essa base tecnológica compartilhada em seus futuros modelos. Esse tipo de movimento reflete uma transformação profunda pela qual passa a indústria automotiva global: o carro deixou de ser definido apenas por motor, câmbio e suspensão, e passou a ser avaliado também pela capacidade de atualização remota, integração com aplicativos, assistentes de condução e funcionalidades que evoluem via software, de forma parecida com o que acontece com smartphones. Marcas como Tesla, BYD e grupos como Volkswagen e Stellantis já vêm investindo pesado nessa transição, muitas vezes enfrentando atrasos e custos elevados para migrar de arquiteturas elétricas tradicionais para uma abordagem centralizada em software. Ao somar esforços, Honda e Nissan tentam diluir esse investimento bilionário e ganhar velocidade em um campo no qual ambas chegam com certo atraso frente a rivais chinesas e à própria Tesla. Para o consumidor brasileiro, esse tipo de notícia ainda parece distante, mas tende a moldar diretamente os carros que chegarão por aqui na próxima década — especialmente porque a base tecnológica desenvolvida em parcerias como essa costuma ser usada globalmente, inclusive em mercados emergentes como o nosso, à medida que a eletrificação avança no país. O acordo também escancara um sintoma comum entre montadoras tradicionais: sozinhas, poucas têm musculatura financeira e velocidade de engenharia para competir de igual para igual com as gigantes de tecnologia e as fabricantes chinesas que já nasceram pensando em software como núcleo do produto, e não como acessório. Ao mirar 2029 como horizonte, Honda e Nissan assumem, na prática, que essa transição é mais complexa e demorada do que o discurso do setor costuma sugerir — e que unir forças, mesmo entre concorrentes históricos, tornou-se questão de sobrevivência estratégica. Para o mercado brasileiro, o recado é claro: a próxima geração de carros vendidos por aqui, elétricos ou não, será cada vez mais definida por atualizações de software do que por mudanças mecânicas, e marcas que não acompanharem esse ritmo correm o risco de ficar tecnologicamente obsoletas mesmo com produtos mecanicamente competentes. Resta acompanhar se essa parceria vai realmente amadurecer até o fim da década ou se, como já aconteceu em outras tentativas de cooperação entre montadoras japonesas, o acordo perde fôlego pelo caminho.
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