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Chefe da Ford admite que tarifas não vão segurar avanço chinês nos EUA

Redação Portal Carro Eletrificado · há 1h

Fonte: Quatro Rodas
O principal executivo da Ford declarou que, apesar das barreiras tarifárias impostas pelo governo americano, veículos chineses de baixo custo devem chegar ao mercado dos Estados Unidos dentro dos próximos dez anos. Segundo ele, essas medidas protecionistas funcionam como um obstáculo temporário, mas não são suficientes para conter de forma permanente a expansão das montadoras asiáticas para além de suas fronteiras atuais. A fala ganha peso porque parte de dentro de uma das maiores fabricantes tradicionais do mundo, justamente uma que tem sentido na pele a pressão da concorrência chinesa em mercados como o europeu e o latino-americano. No Brasil, essa realidade já é visível: marcas como BYD, GWM e Great Wall aceleraram investimentos, abriram fábricas e lançaram modelos elétricos e híbridos com preços agressivos, forçando montadoras estabelecidas a rever suas estratégias de eletrificação por aqui. Enquanto isso, os Estados Unidos seguem um caminho mais protecionista, elevando tarifas de importação justamente para dar sobrevida à indústria automotiva local diante da avalanche de veículos chineses com custo de produção muito mais baixo. A União Europeia adotou postura semelhante, criando taxas adicionais para carros elétricos vindos da China, mas mesmo esses mercados enfrentam dificuldade em barrar totalmente essa entrada, seja por meio de fábricas locais das próprias chinesas, seja por parcerias e joint ventures que driblam as barreiras alfandegárias. A leitura editorial aqui é clara: quando um executivo do calibre do CEO da Ford reconhece publicamente que as tarifas são apenas um paliativo, isso funciona como um alerta para toda a indústria tradicional, inclusive para o consumidor brasileiro. Se nem o mercado americano, historicamente fechado e protegido, consegue segurar essa onda por muito tempo, o recado é que a competição por preço e tecnologia com as fabricantes chinesas veio para ficar e vai se intensificar globalmente. Para o Brasil, isso pode significar uma aceleração ainda maior na chegada de modelos elétricos e híbridos mais acessíveis, pressionando marcas como Volkswagen, Fiat, Chevrolet e a própria Ford a acelerar seus próprios lançamentos de baixo custo por aqui, sob pena de perder espaço justamente na faixa de preço mais sensível do mercado nacional. Também é um sinal de que apostar unicamente em barreiras protecionistas, sem investir pesado em inovação e redução de custos, tende a ser uma estratégia de curto prazo. As montadoras que conseguirem equilibrar qualidade, tecnologia e preço competitivo, sem depender exclusivamente de proteção tarifária, provavelmente serão as que vão sobreviver com mais força a essa nova configuração da indústria automotiva mundial, e o consumidor brasileiro deve ser um dos maiores beneficiados por essa disputa, com mais opções de carros elétricos e híbridos chegando a preços cada vez mais competitivos nos próximos anos.
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