Elétricos

Volkswagen prepara ID. Tiguan para 2027 e resgata comandos físicos no volante

Redação Portal Carro Eletrificado · há 1h

Fonte: Quatro Rodas
A Volkswagen confirmou que o ID. Tiguan chegará ao mercado em 2027 como sucessor do ID.4 dentro da linha de SUVs elétricos da marca. Segundo as informações divulgadas, o modelo terá potência que pode alcançar 299 cv e trará de volta botões físicos no volante, abandonando parte da filosofia de comandos touch que caracterizou os primeiros elétricos da família ID. Outro detalhe que chama atenção é a referência ao Golf IV: o quadro de instrumentos do novo SUV deve trazer mostradores inspirados no desenho clássico daquele hatch, um aceno nostálgico aos entusiastas da marca. A notícia ganha relevância porque a Volkswagen vinha sendo criticada, no mundo todo, pelo excesso de telas sensíveis e pela redução de comandos físicos em seus modelos elétricos, uma tendência que outras montadoras também adotaram nos últimos anos em nome de um visual mais futurista. Só que essa simplificação exagerada gerou reclamações constantes de usuários e especialistas em ergonomia veicular, que apontam distração ao volante como consequência direta da migração total para telas. Marcas como Hyundai, Kia e até a própria Volkswagen já sinalizaram um movimento de retorno a botões físicos para funções essenciais, como climatização e volume de som. No Brasil, onde o mercado de elétricos ainda é incipiente, mas cresce rapidamente com chegada de SUVs elétricos de marcas chinesas e o avanço de modelos como o próprio ID.4, essa discussão sobre usabilidade tende a influenciar diretamente a percepção de qualidade dos consumidores locais, acostumados a critérios práticos no dia a dia do trânsito. A escolha de produzir um SUV elétrico com nome Tiguan, em vez de manter a nomenclatura ID.4, também parece estratégica: a Volkswagen aposta na força e no reconhecimento que o nome Tiguan já construiu no segmento a combustão para facilitar a transição de clientes tradicionais para a eletrificação. É uma jogada semelhante à de outras marcas que preferem emprestar nomes consagrados a seus elétricos, em vez de criar sublinhas completamente novas e ainda sem identidade consolidada junto ao público. A referência estética ao Golf IV, por sua vez, mira diretamente o público mais velho, que viveu o auge desse hatch nos anos 2000 e hoje tem poder de compra para considerar um SUV elétrico premium. Do ponto de vista editorial, o anúncio do ID. Tiguan sinaliza um amadurecimento importante da Volkswagen em sua estratégia de elétricos: a marca parece reconhecer que errou ao priorizar excessivamente a modernidade visual em detrimento da experiência prática do motorista, e agora corrige o rumo antes de expandir ainda mais seu portfólio eletrificado. Para o consumidor brasileiro, que só deve ver esse modelo chegar ao país anos depois do lançamento internacional, a notícia funciona mais como termômetro de tendência do que como informação de compra imediata. Ainda assim, ela reforça um sinal importante: mesmo as montadoras mais tradicionais estão ouvindo as críticas do mercado e ajustando produtos antes de insistir em erros que afetam a aceitação dos elétricos. Para a Volkswagen, a jogada também tem um componente de reposicionamento de marca dentro da corrida pela eletrificação. Num momento em que fabricantes chinesas avançam agressivamente com SUVs elétricos bem equipados e preços competitivos, a VW precisa mostrar que consegue aliar tecnologia, herança de marca e usabilidade sem repetir tropeços recentes. O resgate estético do Golf IV, combinado com uma ergonomia mais tradicional, pode ser lido como uma tentativa de reconquistar a confiança de um público que valoriza praticidade tanto quanto inovação. Resta saber se essa fórmula, pensada para o mercado europeu em 2027, chegará ao Brasil em tempo de competir de forma relevante com a avalanche de elétricos que já disputam espaço por aqui.
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