Elétricos
Tecnologia REEV esbarra em entrave regulatório para ganhar força no Brasil
Redação Portal Carro Eletrificado · há 1h
Uma tecnologia que promete unir a suavidade de condução dos elétricos com a praticidade do abastecimento em postos convencionais começa a ganhar espaço nas discussões sobre eletrificação veicular. Trata-se dos veículos REEV (Range Extended Electric Vehicle, ou elétrico de autonomia estendida), que se comportam como carros 100% elétricos no dia a dia, mas contam com um pequeno motor a combustão que atua exclusivamente como gerador de energia, sem transmitir força diretamente às rodas. Esse motor pode, inclusive, funcionar com etanol — combustível amplamente disponível e mais barato no Brasil. Apesar dessa característica que os aproxima da mobilidade elétrica, a legislação brasileira atualmente enquadra esses modelos na categoria de híbridos plug-in, e não como elétricos puros, o que gera consequências práticas para fabricantes e consumidores.
Essa diferença de classificação não é mero detalhe burocrático. No Brasil, benefícios fiscais, alíquotas de importação e incentivos de programas como o Rota 2030 costumam variar conforme a categoria do veículo, e carros rotulados como híbridos plug-in geralmente não recebem o mesmo tratamento tributário destinado aos elétricos puros. Isso pode encarecer o produto final ou reduzir o interesse das montadoras em trazer a tecnologia para cá, justamente em um momento em que o mercado nacional vive uma explosão de lançamentos eletrificados, impulsionada sobretudo por marcas chinesas como BYD, GWM e Great Wall, que já demonstraram apetite por soluções híbridas adaptadas à realidade brasileira. Enquanto isso, fabricantes globais como Nio, Li Auto e a própria GWM já exploram o conceito REEV em outros mercados, apostando nele como uma ponte natural entre o motor a combustão e a eletrificação total, sem o problema da autonomia limitada que ainda afasta parte dos consumidores dos elétricos puros.
O impasse regulatório brasileiro escancara um problema recorrente: a legislação automotiva do país ainda não acompanha a velocidade das inovações tecnológicas que chegam ao mercado global. Um carro que roda no dia a dia exclusivamente na base da eletricidade, recarregando a bateria por meio de um motor que nem sequer move as rodas, deveria ser tratado de forma diferente de um híbrido convencional, que mistura tração elétrica e a combustão de maneira mais direta. Ao ignorar essa nuance, o Brasil corre o risco de desestimular justamente a tecnologia que poderia servir como transição mais palatável para o consumidor brasileiro — que ainda enxerga com desconfiança a autonomia dos elétricos puros e sofre com a escassez de pontos de recarga fora dos grandes centros urbanos. Um REEV movido a etanol seria, em tese, a combinação perfeita entre sustentabilidade, praticidade e aproveitamento da matriz energética local, mas a falta de uma categoria fiscal específica pode fazer com que esse potencial seja desperdiçado ou que o preço final ao consumidor não reflita as vantagens reais da tecnologia. Para a indústria, fica o recado de que é preciso pressionar por atualizações regulatórias mais ágeis, sob pena de o Brasil repetir o mesmo atraso que viveu em relação a outras tecnologias automotivas no passado, sempre chegando depois que o resto do mundo já validou a solução.
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