Elétricos

Mercado de seminovos elétricos cresce no Brasil com preços a partir de R$ 65 mil

Redação Portal Carro Eletrificado · há 2h

Fonte: Quatro Rodas
Um levantamento recente mostra que já é possível encontrar carros 100% elétricos usados no Brasil por valores a partir de R$ 65.000, reunindo sete modelos diferentes nessa faixa de entrada. Segundo a fonte, boa parte desses veículos tinha preço elevado quando saíram de fábrica, mas a desvalorização natural do mercado de usados os tornou mais acessíveis com o passar do tempo. Mesmo mais em conta, esses carros continuam entregando o principal atrativo da categoria: rodar sem depender de gasolina, etanol ou diesel. Esse movimento de queda de preços em elétricos usados não é surpresa para quem acompanha o setor automotivo. Historicamente, carros com tecnologia de ponta — sejam elétricos, híbridos ou até modelos de luxo com equipamentos avançados — sofrem uma depreciação mais acentuada nos primeiros anos, especialmente em mercados onde a rede de suporte, a oferta de peças e o conhecimento técnico ainda estão em consolidação, como é o caso do Brasil. Isso cria uma oportunidade interessante para o consumidor: comprar um carro elétrico sem pagar o preço cheio de um zero-quilômetro, que no Brasil costuma ser inflacionado por impostos de importação e falta de incentivos fiscais mais agressivos, diferentemente do que ocorre em países da Europa ou na China, onde a eletrificação avança com subsídios diretos ao comprador. Nos últimos anos, marcas como BYD, GWM, Volvo e até fabricantes tradicionais passaram a investir pesado em modelos elétricos por aqui, ampliando a oferta e, consequentemente, criando um mercado secundário mais robusto — algo que praticamente não existia há cinco anos. A leitura editorial desse cenário é que o Brasil começa, ainda que timidamente, a repetir um fenômeno já visto em mercados mais maduros: o carro elétrico deixando de ser artigo de luxo restrito a poucos e se tornando uma opção real dentro do orçamento da classe média, via mercado de usados. Isso é importante porque, historicamente, um dos maiores entraves à adoção em massa da eletrificação no país sempre foi o preço de entrada elevadíssimo dos modelos novos, muito acima do que se paga por um utilitário a combustão equivalente. Com opções de seminovos rodando a partir de R$ 65 mil, abre-se uma porta para consumidores que antes nem cogitavam a hipótese de trocar de tecnologia, seja por questões financeiras, seja por desconhecimento prático de como é o dia a dia com um elétrico. Para o consumidor, o recado é de cautela otimista: vale muito a pena avaliar esse tipo de compra, mas é fundamental redobrar a atenção com itens específicos dessa categoria, como o estado de saúde da bateria, o histórico de recargas e a disponibilidade de assistência técnica especializada na região onde o carro vai rodar. Diferentemente de um carro a combustão, em que o desgaste do motor é relativamente previsível e bem documentado pelo mercado, a vida útil de uma bateria de veículo elétrico ainda gera dúvidas entre compradores brasileiros, e isso pode tanto ser um fator de barganha na hora de negociar o preço quanto um risco real se a inspeção não for feita com cuidado. Para as montadoras, esse movimento também é revelador. A entrada de elétricos no mercado de usados fortalece a marca de forma indireta, ampliando a base de motoristas familiarizados com a tecnologia e criando um ciclo positivo: quem compra um elétrico usado hoje pode ser o comprador de um zero-quilômetro elétrico amanhã, quando tiver condições financeiras para isso. Não é exagero dizer que a consolidação de um mercado de seminovos saudável é tão importante para a eletrificação quanto o lançamento de carros novos — afinal, sem opções de saída (revenda) valorizadas, poucos consumidores se sentem seguros para dar o primeiro passo rumo ao elétrico. De forma mais ampla, esse tipo de notícia reforça uma tendência que deve se intensificar nos próximos anos: à medida que mais elétricos forem vendidos como zero-quilômetro no Brasil, naturalmente mais opções seminovas vão surgir, pressionando os preços para baixo e tornando a eletrificação uma realidade cada vez mais palpável, e não apenas um discurso distante ligado a sustentabilidade e ao futuro da mobilidade urbana.
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